
História da Black Friday: Origem, Evolução e Chegada ao Brasil
História da Black Friday: Origem, Evolução e Chegada ao Brasil
A Black Friday se tornou uma das datas mais conhecidas do calendário comercial.
Todos os anos, varejistas, e-commerces e consumidores se preparam para um período marcado por descontos, aumento nas buscas por produtos e antecipação de parte das compras de fim de ano.
Mas a história da Black Friday começou muito antes de existirem campanhas digitais, carrinhos de compra online ou anúncios prometendo grandes descontos.
E existe um detalhe importante: nem todas as explicações populares sobre a origem da Black Friday são historicamente precisas.
A ideia de que o nome nasceu porque os comerciantes finalmente “saíam do vermelho e entravam no preto”, por exemplo, tornou-se popular posteriormente.
Os registros históricos mais associados à Black Friday comercial levam à Filadélfia, nos Estados Unidos, onde a expressão era utilizada para descrever o trânsito intenso, as multidões e a movimentação no comércio após o Dia de Ação de Graças.
Entender como essa expressão se transformou em um fenômeno mundial ajuda também a compreender por que a data ganhou tanta importância para o varejo brasileiro.
Qual é a origem da Black Friday?

A Black Friday acontece na sexta-feira seguinte ao Thanksgiving, o Dia de Ação de Graças, celebrado nos Estados Unidos na quarta quinta-feira de novembro.
Hoje, o nome está diretamente associado a descontos e grandes campanhas promocionais.
Originalmente, porém, não era esse o significado.
Uma das explicações históricas mais bem documentadas para o uso comercial da expressão leva à Filadélfia, entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1960.
Naquela época, policiais passaram a utilizar “Black Friday” para descrever o intenso movimento que tomava o centro da cidade no dia seguinte ao Thanksgiving.
Além de marcar o início da temporada de compras de Natal, aquele período também atraía visitantes para o tradicional jogo de futebol americano entre Army e Navy.
O resultado era uma combinação de:
trânsito intenso;
ruas lotadas;
grande movimento nas lojas;
turistas;
e jornadas extras para policiais e agentes de trânsito.
Um relato histórico publicado pelo Philadelphia Inquirer atribui justamente ao departamento de trânsito da polícia da Filadélfia a popularização do termo nesse contexto.
Para conhecer melhor essa reconstrução histórica, vale consultar a história da expressão Black Friday na Filadélfia.
“Black Friday” significa que as lojas saíam do vermelho?
Essa é provavelmente uma das versões mais conhecidas sobre a origem do nome.
Segundo essa interpretação, os comerciantes passariam boa parte do ano operando “no vermelho” e, depois do aumento nas vendas durante a temporada de fim de ano, finalmente voltariam a registrar lucro — ficando “no preto”, ou in the black.
É uma explicação fácil de associar ao varejo.
Mas ela não corresponde à origem mais antiga documentada do nome ligado às compras pós-Thanksgiving.
A interpretação contábil ganhou força mais tarde, principalmente quando comerciantes passaram a buscar uma explicação mais positiva para uma expressão que originalmente carregava uma conotação ligada a congestionamento e confusão.
A própria reconstrução histórica publicada pelo History.com diferencia essas duas fases: primeiro, o uso associado ao caos na Filadélfia; posteriormente, a narrativa de varejistas passando do vermelho para o preto.
Ou seja:
“sair do vermelho” ajuda a explicar como o varejo reinterpretou a Black Friday — não como o nome surgiu.
E a Black Friday de 1869?

Existe ainda outra história frequentemente relacionada à origem da Black Friday.
Em 24 de setembro de 1869, o mercado de ouro dos Estados Unidos sofreu uma forte crise depois de uma tentativa de manipulação envolvendo os investidores Jay Gould e James Fisk.
Aquela sexta-feira também ficou conhecida como uma “Black Friday”.
O episódio é real.
Mas ele representa outro uso histórico da expressão e não deve ser tratado como a origem direta da Black Friday realizada depois do Dia de Ação de Graças.
Ao longo da história, o termo “Black Friday” já foi empregado para identificar diferentes acontecimentos negativos.
Isso não significa que todos eles estejam ligados à data comercial que conhecemos atualmente.
Essa distinção é importante porque uma mesma expressão pode existir em contextos históricos diferentes sem que um tenha necessariamente dado origem ao outro.
Como a Black Friday virou uma data comercial?
A sexta-feira depois do Thanksgiving já era naturalmente importante para o comércio norte-americano.
Ela marcava o início da temporada de compras de Natal, e cidades como Filadélfia recebiam um movimento especialmente intenso.
A expressão Black Friday começou, então, a ficar cada vez mais associada àquela sexta-feira.
Por volta de 1961, comerciantes da Filadélfia chegaram a tentar substituir o termo por uma alternativa mais positiva:
“Big Friday”.
A tentativa não funcionou.
O nome Black Friday continuou sendo usado e, nas décadas seguintes, ultrapassou os limites da região.
Com o tempo, grandes lojas passaram a incorporar a data às suas estratégias promocionais.
A conotação mudou.
Aquilo que inicialmente descrevia trânsito e multidões passou a representar uma grande oportunidade comercial.
A partir das décadas de 1980 e 1990, a explicação relacionada ao varejo “entrando no preto” também ajudou a transformar o significado da expressão em algo positivo para comerciantes e consumidores.
Nos anos seguintes, a Black Friday ganhou escala.
Primeiro nos Estados Unidos.
Depois em diferentes países.
E, com o avanço do comércio eletrônico, deixou de ser apenas uma experiência das lojas físicas.
Quando a Black Friday começou no Brasil?
No Brasil, a história é bem mais recente.
A primeira Black Friday brasileira aconteceu em 2010, com uma característica importante:
ela nasceu essencialmente no ambiente online.
A iniciativa foi promovida pelo Busca Descontos e reuniu varejistas do comércio eletrônico brasileiro.
O movimento era bem diferente do que vemos atualmente.
Naquela época, o e-commerce brasileiro ainda estava em uma etapa anterior de maturidade e a Black Friday era uma novidade para grande parte dos consumidores.
Nos anos seguintes, a adesão cresceu.
Mais varejistas passaram a participar.
Lojas físicas começaram a incorporar a data.
Campanhas ficaram maiores.
E o consumidor também passou a entender melhor como comparar preços e avaliar as ofertas.
As primeiras edições brasileiras, entretanto, também ficaram marcadas por críticas relacionadas a descontos pouco transparentes e aumentos de preços antes da promoção.
Esse contexto contribuiu para o surgimento de iniciativas voltadas à maior transparência das campanhas e ao monitoramento das ofertas.
Independentemente dessas dificuldades iniciais, uma coisa ficou clara:
a Black Friday havia encontrado espaço no calendário comercial brasileiro.
Da Black Friday ao Black November
Com o amadurecimento da data, outra transformação começou a acontecer.
A Black Friday deixou de caber em apenas uma sexta-feira.
As campanhas começaram a aparecer antes.
Vieram expressões como:
pré-Black Friday;
esquenta Black Friday;
Black Week;
e, finalmente, Black November.
Essa mudança não aconteceu apenas porque os varejistas quiseram prolongar promoções.
O comportamento do consumidor também mudou.
Hoje, muitas pessoas começam a pesquisar preços e produtos antes da sexta-feira oficial.
Acompanham variações.
Montam listas.
Comparam condições de pagamento.
Avaliam frete.
Esperam uma determinada oferta.
E podem concluir a compra em diferentes momentos de novembro.
Os números recentes ajudam a mostrar a dimensão dessa transformação.
Na Black Friday de 2025, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 4,76 bilhões apenas na sexta-feira, crescimento de 11,2% na comparação com 2024.
Foram 8,69 milhões de pedidos, alta de 28%, com ticket médio de R$ 553,60.
Quando ampliamos o olhar para novembro inteiro, porém, o faturamento chegou a R$ 39,2 bilhões, alta de 36,2%.
O crescimento do mês foi significativamente maior do que o crescimento registrado apenas na sexta-feira.
Esses dados ajudam a explicar por que o mercado passou a falar tanto em Black November.
A Black Friday continua extremamente relevante.
Mas a janela comercial ficou maior.
Para acompanhar os indicadores mais recentes, consulte os dados da Black Friday no e-commerce brasileiro publicados pela Neotrust.
Por que a Black Friday se tornou tão importante para o varejo?

A relevância da Black Friday não está apenas no tamanho dos descontos.
A posição da data no calendário comercial é estratégica.
Ela acontece poucas semanas antes do Natal e pode antecipar parte das compras de fim de ano.
Além disso, cria um momento em que o consumidor está especialmente atento a:
preço;
condições de pagamento;
estoque;
frete;
avaliações;
prazo de entrega;
e comparação entre concorrentes.
Isso concentra intenção de compra.
Mas também aumenta a competição.
Para o lojista, portanto, a Black Friday não deveria ser vista simplesmente como um dia para reduzir preço.
Produto, margem, estoque, operação, logística, atendimento, tecnologia, mídia e comunicação podem influenciar o desempenho da mesma campanha.
Quanto maior o volume de vendas esperado, maior também tende a ser a necessidade de preparação.
A Black Friday deixou de começar na sexta-feira
A própria evolução histórica da data traz uma lição interessante.
Primeiro, a Black Friday era consequência do movimento de consumidores depois do Thanksgiving.
Depois, passou a ser uma data promocional.
Mais tarde, tornou-se uma temporada comercial que começa semanas antes da sexta-feira oficial.
Essa transformação também mudou o planejamento de quem vende.
A pergunta deixou de ser apenas:
“Qual desconto vamos dar na Black Friday?”
Hoje, o lojista também precisa considerar:
quais produtos participarão;
quanto cada venda realmente deixa de margem;
qual estoque está disponível;
qual volume a operação consegue processar;
como os pedidos serão enviados;
quanto será investido em mídia;
e qual experiência o consumidor encontrará até a finalização da compra.
O artigo continua sendo histórico — mas essa evolução ajuda a entender por que planejamento e Black Friday se tornaram inseparáveis.
Em setores específicos, essa preparação já começa semanas antes. No conteúdo sobre o Calendário de Datas Comemorativas de Novembro de 2026, por exemplo, mostramos como margem, estoque, comunicação, mídia e operação entram no planejamento comercial da Black Friday.
A lógica vale para diferentes segmentos:
quanto maior a oportunidade, maior a necessidade de saber se a operação está pronta para recebê-la.
5 curiosidades sobre a história da Black Friday
1. A explicação do “ficar no preto” veio depois
Apesar de ser uma das histórias mais populares sobre a Black Friday, a ideia de que o nome surgiu porque os comerciantes passavam do prejuízo para o lucro não é a explicação histórica mais antiga ligada à data comercial.
Os registros associados à polícia e ao trânsito da Filadélfia são anteriores.
2. Comerciantes tentaram mudar o nome para “Big Friday”
A conotação de “Black Friday” não agradava a todos.
Em 1961, houve uma tentativa de popularizar o nome Big Friday.
A nova expressão não conseguiu substituir aquela que já havia se espalhado pela cidade.
3. A crise do ouro de 1869 também foi chamada de Black Friday
A expressão já existia antes de sua ligação com o varejo.
A crise financeira de setembro de 1869 ficou conhecida pelo mesmo nome.
Mas esse episódio é independente da origem da Black Friday pós-Thanksgiving.
4. No Brasil, a Black Friday começou online
Ao contrário da tradição norte-americana ligada ao fluxo de consumidores em lojas físicas, a primeira edição brasileira, em 2010, foi organizada com foco no comércio eletrônico.
Essa característica ajuda a explicar por que e-commerce, performance digital e infraestrutura tecnológica se tornaram tão associados à Black Friday brasileira.
5. O evento virou uma temporada de compras
A sexta-feira continua sendo importante.
Mas novembro inteiro ganhou relevância.
Em 2025, enquanto o faturamento do e-commerce no dia da Black Friday cresceu 11,2%, o faturamento de novembro avançou 36,2%.
É uma evidência concreta da expansão da data para uma janela comercial mais longa.
FAQ — História da Black Friday
Qual é a origem da Black Friday?
A origem mais diretamente associada à Black Friday comercial leva à Filadélfia, entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1960. Policiais utilizavam o termo para descrever o intenso trânsito e as multidões que tomavam a cidade na sexta-feira depois do Thanksgiving.
Por que ela recebeu o nome Black Friday?
Originalmente, o nome possuía uma conotação negativa associada ao caos causado pelo grande fluxo de pessoas e veículos. A explicação de que comerciantes “saíam do vermelho e entravam no preto” tornou-se popular posteriormente.
Quando a Black Friday começou no Brasil?
A primeira edição brasileira ocorreu em 2010 e teve foco no comércio eletrônico. A iniciativa foi promovida pelo Busca Descontos e reuniu lojas virtuais brasileiras.
Por que a Black Friday acontece em novembro?
Porque ela acontece na sexta-feira seguinte ao Dia de Ação de Graças dos Estados Unidos, que é celebrado na quarta quinta-feira de novembro.
Por isso, a data muda a cada ano.
Em 2026, a Black Friday será em 27 de novembro.
Qual é a diferença entre Black Friday e Black November?
Black Friday é a data comercial concentrada na sexta-feira seguinte ao Thanksgiving. Black November é a expansão dessa lógica para uma temporada maior de campanhas e ofertas ao longo de novembro.
Black Friday e Cyber Monday são a mesma coisa?
Não.
A Cyber Monday surgiu como uma data especialmente associada às compras online e acontece na segunda-feira seguinte à Black Friday.
Com o crescimento do e-commerce e a expansão das campanhas ao longo de novembro, a fronteira entre os dois eventos ficou menos rígida, mas eles continuam sendo datas comerciais diferentes.
Conclusão: a Black Friday mudou e o varejo mudou com ela
A história da Black Friday começou muito longe das campanhas digitais que conhecemos hoje.
Uma expressão associada ao trânsito e às multidões da Filadélfia atravessou décadas, perdeu parte da conotação negativa, foi incorporada pelo varejo e se transformou em um fenômeno internacional.
No Brasil, encontrou terreno especialmente fértil no comércio eletrônico.
Desde a primeira edição, em 2010, a data cresceu, chegou com força às lojas físicas e passou de uma sexta-feira promocional para uma temporada capaz de movimentar grande parte de novembro.
Para o empreendedor, conhecer essa história ajuda a entender uma transformação importante:
a Black Friday deixou de ser apenas um dia de desconto e passou a fazer parte do planejamento comercial do fim do ano.
A oportunidade continua relevante.
Mas a maneira de trabalhar a data também evoluiu.
Não basta vender mais.
É necessário entender quais produtos fazem sentido, quanto cada venda deixa de resultado, qual é a capacidade da operação e como comunicação, mídia, estoque e logística vão trabalhar juntos.
A história explica como a Black Friday chegou até aqui.
O planejamento é o que determina como cada empresa poderá aproveitá-la daqui para frente.
Na D’Gitais, seguimos acompanhando as mudanças no comportamento do consumidor, no e-commerce e no marketing digital para ajudar empresas a transformar grandes datas comerciais em decisões mais bem planejadas.



